Em 2025, a China consolidou sua posição como força central na economia global, registrando um crescimento resiliente apesar dos desafios internos. Com um Produto Interno Bruto (PIB) expandindo-se em 5%, superando expectativas trimestrais, o gigante asiático demonstra uma capacidade única de adaptação e reinvenção. Este artigo explora as razões desse desempenho, as políticas que o sustentam, os obstáculos futuros e as implicações para o reequilíbrio do poder econômico mundial.
Crescimento e Metas Superadas
O desempenho de 2025 confirmou que a economia chinesa não é apenas gigantesca em tamanho, mas também ágil em sua resposta a choques internos e externos. A meta oficial de crescimento foi alcançada com folga, sustentada por resultados robustos em cada trimestre. No quarto trimestre, o PIB avançou 1,2% frente ao 1,0% esperado, refletindo a eficácia de políticas de estímulo.
Segundo analistas, o sucesso recente não foi fruto do acaso. Políticas fiscais pró-ativas, cortes de juros e injeções de liquidez coordenadas pelo Banco Popular da China (PBoC) criaram um ambiente favorável à atividade empresarial. A supervisão meticulosa das dívidas locais e a redução de tarifas impuseram um ritmo de crescimento mais equilibrado.
Estrutura Setorial e Resiliência
A combinação de exportações robustas e uma indústria dinâmica sustentou o superávit comercial recorde de 1,2 trilhão de dólares, superávit comercial recorde de US$1,2 trilhão. Enquanto isso, o consumo interno e o investimento em ativos fixos exibiram fragilidades, pressionados por um mercado imobiliário em retração e por reservas excessivas em alguns setores.
O contraste entre a produção industrial, com alta de 5,9% em 2025, e o investimento em ativos fixos, em queda inédita de 3,8%, revela um cenário de ajustes setoriais profundos. O setor manufatureiro viu renascimento, enquanto o segmento imobiliário busca um novo patamar de sustentabilidade.
Políticas de Estímulo e Suporte Governamental
Pequim adotou um mix de medidas para impulsionar o consumo e manter a liquidez do sistema financeiro. Entre as ações mais relevantes estão:
- Redução das taxas de juros de referência para pequenas empresas;
- Cortes na exigência de reservas obrigatórias pelos bancos;
- Pacotes fiscais de apoio a famílias de baixa renda;
- Investimentos em infraestrutura de tecnologia e energia limpa.
Essas iniciativas evidenciam um compromisso com o consumo doméstico de longo prazo e reforçam a estabilidade do sistema bancário, evitando riscos de bolhas especulativas.
Desafios Internos e Externos
Nem tudo é um oceano em calmaria. O mercado interno sofre com demanda reticente: vendas no varejo cresceram apenas 3,7%, insuficientes para compensar a retração no setor imobiliário. Governos locais, antes dependentes de receitas de terrenos, buscam ajustar dívidas e limitar novos projetos de infraestrutura.
Externamente, as tensões comerciais com os Estados Unidos ainda ecoam. Embora algumas tarifas tenham sido revertidas em meados de 2025, a volatilidade nas relações de comércio bilateral e as restrições em tecnologia de ponta impõem barreiras ao avanço chinês.
Projeções e Caminhos para 2026
Para 2026, o consenso entre economistas aponta para um crescimento de cerca de 4,5%. O “sarrafo subiu”, segundo especialistas, exigindo políticas ainda mais sofisticadas para manter o ritmo. As expectativas incluem:
- Expansão de crédito seletivo a indústrias estratégicas;
- Adoção de incentivos fiscais de longo prazo para empresas inovadoras;
- Fortalecimento de programas de transferência de renda mínima;
- Maior foco em parcerias comerciais com países em desenvolvimento.
Essas ações poderão assegurar um ritmo de avanço sustentável para os próximos anos, mitigando os riscos de um desaquecimento abrupto.
Implicações para o Reequilíbrio Global
O protagonismo da China exige uma releitura das cadeias de valor globais. Empresas internacionais devem considerar diversificação de fornecedores e parcerias com o mercado chinês, avaliando riscos e oportunidades. Investidores, por sua vez, podem buscar setores alinhados às diretrizes de inovação e energia limpa promovidas pelo governo de Pequim.
Para os formuladores de políticas em outros países, a lição é clara: a dependência sem redirecionamento estratégico de mercados grandes pode resultar em vulnerabilidades. É imperativo construir blocos comerciais e tecnológicos que equilibrem interesses e promovam estabilidade.
Conclusão: Aprendizados e Caminhos Adiante
A ascensão da China em 2025 é um testemunho de resiliência econômica em meio a tempestades. Seu crescimento, embora ainda dependente das exportações, mostra avanços significativos na reorientação para o mercado interno. O reequilíbrio do poder econômico mundial não se dará de forma abrupta, mas sim através de negociações, ajustes e cooperações estratégicas.
Em um mundo interligado, entender a dinâmica chinesa torna-se fundamental para empresas, investidores e governos. A chave está em aprender com as políticas de estímulo bem-sucedidas, adaptar-se às novas realidades setoriais e construir alianças que garantam prosperidade compartilhada. Assim, todos poderão navegar de forma segura no vasto oceano, não em um pequeno lago das oportunidades globais.
Referências
- https://pt.tradingeconomics.com/china/gdp-growth/news/517867
- https://tmc.com.br/mundo/china-atinge-meta-de-crescimento-do-pib-em-2025-com-boom-das-exportacoes/
- https://pt.euronews.com/business/2026/01/19/china-atinge-meta-de-5-de-crescimento-mas-procura-fraca-revela-outra-realidade
- https://blogdoibre.fgv.br/posts/china-2026-o-sarrafo-subiu-0
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/china-deve-estabelecer-meta/
- https://portuguese.cgtn.com/2026/01/22/ARTI1769048068306744
- https://xpert.digital/pt/enfraquecimento-do-crescimento-interno/
- https://www.telanon.info/economia/2026/01/20/51487/economia-chinesa-crescimento-de-5-em-tres-anos-consecutivos/







