A tokenização de ativos imobiliários tem ganhado destaque no Brasil e no mundo, abrindo caminho para uma revolução na forma como compramos, vendemos e investimos em imóveis. Com tecnologias de blockchain e smart contracts, torna-se possível democratizar o acesso a empreendimentos antes limitados a grandes investidores.
Em janeiro de 2026, a parceria entre a proptech Rooftop e o Mercado Bitcoin resultou na captação de R$ 17,2 milhões em tokens imobiliários, envolvendo mais de 2 mil investidores. Esse marco evidencia como fraciona imóveis em tokens digitais, permitindo aportes a partir de apenas R$ 100.
No Brasil, a adoção de criptoativos no mercado imobiliário começou a ganhar força em 2024, com diversas startups e fundos de investimento explorando o potencial de ativos tokenizados como alternativas de financiamento para projetos residenciais e comerciais. A tendência é que esse movimento cresça exponencialmente nos próximos anos.
O que é tokenização imobiliária?
A tokenização converte a propriedade ou fração de um imóvel em tokens digitais registrados em blockchain. Cada token representa uma participação em um ativo real, com transparência de registros e garantia de segurança criptográfica.
Os smart contracts automatizam obrigações como distribuição de aluguéis e cálculo de rendimentos, reduzindo intermediários e custos. Em poucos cliques, investidores podem adquirir, negociar e receber pagamentos, sem a complexidade dos processos tradicionais.
Cada transação registra uma cadeia imutável de eventos em blockchain, garantindo transparência total em tempo real e auditabilidade permanente. A descentralização dos registros reduz o risco de fraudes e amplia a confiança entre as partes, pois todas as movimentações ficam gravadas em nodos distribuídos.
Casos de sucesso no Brasil
O lançamento dos tokens ROOF03 e ROOF04, lastreados em um imóvel de alto padrão no condomínio Quinta da Baroneza, captou R$ 15 milhões em apenas 72 dias. Com retorno estimado de IPCA + 13% ao ano e pagamentos mensais, esses ativos atraíram investidores com perfil diverso.
Outro exemplo é o token de renda variável ROOFTOP01, que captou R$ 1,5 milhão de 266 participantes. O potencial de retorno de até 2,8 vezes o valor investido, ou mínimo de IPCA + 4%, demonstra a flexibilidade desse modelo para projetos de renda variável.
Esses exemplos mostram a força do varejo, com ticket médio de R$ 6 mil na emissão ROOF03/04 e diversificação de carteiras. Além disso, plataformas especializadas já facilitam a negociação secundária de tokens, criando um mercado mais dinâmico e acessível.
Vantagens da tokenização
A principal vantagem é a democratização do acesso ao varejo. Com aportes a partir de R$ 100, pequenos investidores participam de ativos antes restritos a instituições financeiras.
Adicionalmente, observa-se processos burocráticos totalmente simplificados, já que o uso de blockchain e smart contracts elimina etapas manuais, reduzindo prazos de emissão de meses para semanas.
Por fim, a tokenização oferece proteção inflacionária e renda através do lastro em ativos reais e cláusulas de rendimento indexadas ao IPCA, com distribuição periódica de aluguéis.
A liquidez também se destaca, pois os tokens podem ser listados em corretoras digitais após emissão. Isso cria um mercado secundário ativo e dinâmico, onde investidores compram e vendem participações com mais agilidade do que em transações imobiliárias convencionais.
Desafios regulatórios e jurídicos
Apesar do potencial, a tokenização enfrenta entraves importantes para sua consolidação. A ausência de regulação específica, aliada a ambiguidades jurídicas, cria insegurança para emissores e investidores.
- 1. Ambiguidade na natureza jurídica do token (direito real, valor mobiliário ou fração ideal).
- 2. Inexistência de regulação específica para tokenização imobiliária.
- 3. Conflito entre blockchain e registro público (exigência de cartórios para validade legal).
- 4. Classificação como valor mobiliário pela CVM, exigindo prospecto e instrução 88 ou resolução 160.
- 5. Tributação complexa (ITBI, ISS e IR; risco de bitributação).
- 6. Validade de smart contracts ainda não pacificada na Justiça.
- 7. Reconhecimento limitado por bancos como garantia de empréstimos.
- 8. Ausência de jurisprudência consolidada sobre tokenização.
- 9. Necessidade de custodiante para governança e segurança jurídica dos ativos.
Recentemente, a Corregedoria Geral da Justiça proibiu o registro de tokens diretamente na matrícula imobiliária, reforçando a busca por soluções que unifiquem registro público e blockchain.
Perspectivas para 2026
Espera-se que 2026 seja o ano da expansão em escala. Com a evolução da regulação, a tokenização deve se consolidar como uma das cinco maiores tendências do setor.
A infraestrutura Drex como catalisador conectará registros de propriedade, instituições financeiras e blockchain, promovendo liquidez e segurança jurídica.
Plataformas especializadas facilitarão a emissão e o gerenciamento de tokens, atraindo investidores institucionais e de varejo para novos projetos residenciais, comerciais e de renda variável.
Além disso, a expansão global do modelo brasileiro pode atrair aportes estrangeiros e integrar o país em cadeias internacionais de financiamento imobiliário. Comunidades de investidores e plataformas colaborativas tendem a surgir, fomentando a criação de novos modelos de negócios baseados em tokenização.
A crescente integração com tecnologias emergentes, como realidade aumentada e metaverso, permitirá experiências imersivas em vendas e gestão de propriedades tokenizadas. Visitantes virtuais poderão explorar imóveis antes de investir, aumentando a transparência e a experiência do usuário.
Riscos e recomendações para investidores
Como qualquer inovação, a tokenização apresenta riscos, sobretudo relacionados à volatilidade de criptoativos e incertezas legais. É fundamental adotar boas práticas de compliance e conhecer a legislação vigente sobre criptoativos.
Recomenda-se:
- Realizar due diligence dos emissores e do imóvel subjacente.
- Exigir documentação clara e auditoria de contratos inteligentes.
- Estar atento a tributações e planejar o impacto fiscal.
- Utilizar contas em corretoras e custodiantes regulamentados para mitigar riscos.
Além disso, o uso de sandboxes regulatórios permite testar modelos de negócios em ambiente controlado, reduzindo incertezas e custos de adaptação.
Investidores devem considerar riscos de segurança cibernética, como vulnerabilidades em wallets e contratos inteligentes. Auditorias independentes de código são essenciais para garantir a integridade do sistema, assim como a adoção de práticas de segurança robustas em todas as etapas.
Conclusão
A tokenização imobiliária representa uma uma verdadeira revolução de mercado, unindo tecnologia de ponta e ativos reais para criar um ecossistema mais inclusivo e eficiente.
Embora existam desafios regulatórios e jurídicos, as perspectivas para 2026 são promissoras. Investidores que se prepararem, entenderem a tecnologia e contarem com consultoria especializada estarão na vanguarda dessa transformação.
Estamos diante de uma nova era, em que a propriedade será cada vez mais acessível, líquida e transparente. Aproveite esse momento e seja parte da mudança no setor imobiliário brasileiro.
Ao compreender este ecossistema e acompanhar as atualizações regulatórias, investidores e gestores estarão mais aptos a aproveitar oportunidades, antecipar desafios e contribuir para um setor imobiliário mais eficiente e inclusivo.
Referências
- https://brazileconomy.com.br/financas/2026/01/rooftop-capta-r-172-milhoes-com-tokens-imobiliarios-junto-com-mercado-bitcoin/
- https://nradvocacia.com.br/tokenizacao-de-imoveis-obstaculos-brasil/
- https://exame.com/future-of-money/quais-sao-as-perspectivas-da-tokenizacao-imobiliaria-para-2026/
- https://www.ibresp.com.br/blogs/2025/como-usar-criptomoedas-e-criptoativos-no-mercado-imobiliario/
- https://widesys.com.br/blog/as-5-maiores-tendencias-para-o-mercado-imobiliario-em-2026/
- https://www.youtube.com/watch?v=aU_UAjaRjfQ
- https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2025/novembro/receita-federal-atualiza-regulamentacao-de-criptoativos-para-adapta-la-ao-padrao-internacional
- https://forbes.com.br/forbes-money/2026/01/5-tendencias-que-os-investidores-em-criptomoedas-nao-podem-ignorar-em-2026/
- https://br.tradingview.com/news/cointelegraph:417702b8ebc81:0/
- https://www.seudinheiro.com/2026/bolsa-dolar/onde-investir-em-2026-tudo-que-voce-precisa-saber-para-montar-sua-carteira-para-este-ano-julw/
- https://www.youtube.com/watch?v=_XqQ9Rjix-Y
- https://modobrasil.org/p/criptomoedas-e-o-setor-imobiliario-uma-nova-era/
- https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2022/lei/l14478.htm







