O encontro entre instituições financeiras consolidadas e tecnologias descentralizadas transformou o mercado global. Enquanto alguns veem tração para um ecossistema mais dinâmico, outros percebem riscos à estabilidade. Nesta análise, exploramos as tensões regulatórias nos Estados Unidos e o modelo de integração regulada no Brasil, além de refletirmos sobre cenários futuros.
Conflitos nos EUA: Bancos vs. Plataformas Cripto
Nos Estados Unidos, gigantes como JPMorgan e Citigroup lideram uma resistência intensa contra o rendimento atraente de stablecoins, argumentando que ele representa fuga de recursos dos depósitos tradicionais. O Digital Asset Market Clarity Act desencadeou um lobby agressivo para impedir pagamentos automáticos apenas por posse de tokens, limitando recompensas a atividades como staking ou provisão de liquidez.
Brian Armstrong, CEO da Coinbase, criticou o movimento como um lobby regulatório intenso e acusou bancos de práticas anticompetitivas. A empresa projeta mais de US$ 1 bilhão em receita de stablecoins até 2025, enquanto o governo acusa a plataforma de abandonar propostas de última hora, num episódio rotulado de “rug pull”.
- Proibição de yield apenas por posse de stablecoins.
- Fortalecimento da SEC em relação à CFTC.
- Debate sobre ações tokenizadas e acesso a dados DeFi.
Ao mesmo tempo, vozes como a senadora Elizabeth Warren pedem fiscalização sobre licenças suspeitas, enquanto aliados da Casa Branca, como David Sacks, enxergam o adiamento como oportunidade para um acordo equilibrado. A polarização destaca o desafio de conciliar proteção de depósitos e promoção de inovação.
Colaboração no Brasil: Integração Regulamentada
Enquanto nos EUA predominam tensões, o Brasil avança em um modelo de integração regulada de bancos no mercado cripto. A Instrução Normativa BCB nº 701, válida a partir de fevereiro de 2026, estabelece requisitos rigorosos para Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs).
Os principais pontos da norma incluem:
- Prova de Reservas: auditoria independente comprova que a corretora mantém ativos dos clientes.
- Segregação Patrimonial: patrimônio do cliente estava separado do da instituição, protegendo em casos de insolvência.
- Prevenção AML/CFT: controles robustos para combater lavagem de dinheiro e financiamento de terrorismo.
- Cibersegurança e redundância: infraestrutura resiliente garante continuidade de operações.
Essa abordagem sucede as Resoluções BCB 519 e 520 de novembro de 2025, que definiram capital mínimo e patrimônio líquido para PSAVs. Com base na instrução normativa do Banco Central, players nacionais como Itaú e Nubank e estrangeiros (como Binance) devem obter CNPJ local e comprovar conformidade em até 270 dias.
Embora entidades como a ABToken aleguem que o capital requerido seja alto e possa frear a inovação, a medida diminui riscos de fraudes e fortalece a confiança do investidor. A exigência de auditorias técnicas, sem conflitos de interesse, garante maior transparência e segurança operacional.
Tendências Futuras e Reflexões Finais
O panorama global sugere uma regulamentação híbrida, em que modelos colaborativos ganham força diante de adiamentos legislativos. Nos EUA, o diálogo entre governo e indústria pode resultar em um marco jurídico mais equilibrado, se as partes promoverem consenso entre SEC e CFTC.
No Brasil, a consolidação das normas abre espaço para que bancos ofereçam produtos cripto, como venda e custódia de Bitcoin, respeitando limites prudenciais. A ausência de cobertura do FGC para ativos digitais mantém o apelo pela autocustódia, mas a regulação impõe padrões que protegem investidores.
Em ambos os cenários, a chave será a busca por um ecossistema financeiro que promova estabilidade a longo prazo sem tolher a criatividade tecnológica. As instituições tradicionais precisarão repensar modelos de negócios, e as plataformas cripto, aprimorar governança e transparência.
O futuro reserva um mercado no qual bancos e criptomoedas coexistem, aprendendo um com o outro. Enquanto as tensões revelam desafios, as iniciativas colaborativas apresentam caminhos para uma indústria mais resiliente, inovadora e inclusiva.
Referências
- https://portaldobitcoin.uol.com.br/casa-branca-esta-furiosa-com-decisao-da-coinbase-de-abandonar-projeto-de-lei-sobre-criptomoedas/
- https://exame.com/future-of-money/bc-divulga-regras-para-bancos-atuarem-no-mercado-de-criptomoedas/
- https://outraspalavras.net/outrasmidias/eua-sob-a-cleptocracia-das-criptomoedas/
- https://livecoins.com.br/banco-central-define-requisitos-para-auditoria-de-exchanges-de-bitcoin-regras-passam-a-valer-em-fevereiro/
- https://br.tradingview.com/news/cointelegraph:36bfb1636bc81:0/
- https://investnews.com.br/investimentos/banco-central-define-regras-para-bancos-e-corretoras-operarem-com-cripto/
- https://www.binance.com/pt-BR/square/post/35125033533721
- https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-11/banco-central-estabelece-regras-para-o-mercado-de-criptoativos
- https://www.kucoin.com/pt/news/flash/eric-trump-claims-banks-are-obstructing-crypto-legislation
- https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/20918/nota
- https://phemex.com/pt/news/article/senator-warren-calls-for-suspension-of-wlfi-bank-charter-over-trump-conflict-53277
- https://investidor10.com.br/noticias/bc-define-regras-para-que-itau-nubank-e-outros-possam-vender-bitcoin-no-brasil-118147/
- https://www.youtube.com/watch?v=PA6myaT1R_U
- https://webitcoin.com.br/banco-central-atualiza-regras-para-servicos-com-criptomoedas/







