No século XXI, os dados se tornaram ativos econômicos centrais, impulsionando a inovação e redefinindo paradigmas produtivos. Neste artigo, exploramos a economia de dados no Brasil, seus impactos, desafios de privacidade e as perspectivas para 2026 e além.
Introdução ao Novo Petróleo Digital
A analogia dos dados como “ouro negro” reflete o valor comparável ao petróleo na era industrial. Em 2020, foram gerados globalmente cerca de 2,5 quintilhões de bytes de dados por dia, e o mercado de inteligência artificial alcançou US$ 240 bilhões, com projeções para 2030 entre US$ 740 bilhões e US$ 1,8 trilhão.
No Brasil, apesar de tentar mensurar esse potencial econômico, ainda há lacunas na mensuração e regulação. Instituições como IBGE, Cepal, Cetic/NIC.br e ABDI iniciaram esforços entre 2016 e 2022, mas a construção de estatísticas sólidas permanece incompleta.
Panorama da Economia de Dados no Brasil
Os dados podem gerar valor em três dimensões: estoque, fluxo e uso. No país, a infraestrutura de tecnologia da informação cresceu de forma substancial na última década.
Entre 2009 e 2019, as receitas de TI cresceram 6,9% ao ano em termos reais, acima da inflação, e a ocupação no setor aumentou 5,5% ao ano. Em São Paulo, o faturamento avançou 7,8% real ao ano e gerou 120 mil postos de trabalho formais, representando 57% dos empregos de TI no país.
O acesso à internet também se expandiu: em 2024, 89,1% da população acima de 10 anos estava conectada, comparado a 79,5% em 2019 e 66,1% em 2016, preparando o terreno para a coleta e o consumo massivo de dados.
Impactos Econômicos e Projeções
O crescimento do setor digital tem descolado o ritmo do PIB tradicional. Enquanto o PIB brasileiro projetado para 2026 varia entre 1,6% (Banco Central) e 2,4% (Ministério da Fazenda), o mercado de dados e IA promete taxas de expansão superiores às da economia geral.
Veja abaixo uma comparação das projeções macroeconômicas para o período 2025–2027:
Embora o crescimento geral seja modesto, o setor de dados segue em forte ascensão, oferecendo alternativas de emprego, inovação e serviços públicos mais eficientes.
Oportunidades e Riscos da Economia de Dados
O universo digital abre oportunidades para empresas e governos, mas traz riscos que exigem atenção.
- Inovação em serviços financeiros, saúde e agronegócio com análise preditiva.
- Crescimento de startups focadas em modelos de negócios baseados em dados.
- Geração de empregos qualificados em Ciência de Dados, engenharia de dados e segurança cibernética.
Por outro lado, emergem desafios como dependência de plataformas estrangeiras, vulnerabilidades de privacidade e colonialismo digital disfarçado, onde decisões críticas são tomadas fora do controle nacional.
Privacidade e Soberania Digital
O avanço da economia de dados torna urgente a discussão sobre privacidade e regulação. A União Europeia oferece um modelo com GDPR, mas, no Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) ainda carece de aplicação plena e fiscalização robusta.
Para garantir soberania nacional e segurança da informação, é fundamental:
- Fortalecer agências reguladoras com recursos e autonomia.
- Estabelecer mecanismos de auditoria de plataformas estrangeiras.
- Promover educação digital para cidadãos e empresas.
Essas iniciativas podem minimizar riscos de uso indevido de dados e assegurar que a sociedade brasileira colha os benefícios de um mercado digital em expansão.
Perspectivas para 2026 e Além
Embora o crescimento do PIB esteja projetado para desacelerar em 2026, o setor digital deverá continuar sua trajetória ascendente. Mais de metade dos brasileiros espera melhora econômica no próximo ano, um sinal de otimismo que pode se concretizar se políticas públicas e investimentos privados forem coordenados.
As linhas de desenvolvimento estratégico incluem:
- Implementação de políticas públicas integradas e eficazes de economia digital.
- Fortalecimento de centros de pesquisa e inovação em IA e Big Data.
- Ampliação do acesso à internet de alta velocidade em regiões remotas.
Ao alinhar essas propostas, o Brasil pode transformar seus dados em um motor de crescimento inclusivo e sustentável, evitando as armadilhas do colonialismo digital e garantindo autonomia tecnológica e competitividade global.
Conclusão
A economia de dados, comparada ao “ouro negro” da era industrial, detém o poder de transformar mercados, serviços públicos e a vida dos cidadãos. No Brasil, apesar dos avanços em conectividade e TI, persiste a necessidade de consolidar estatísticas, aprimorar a regulação e fortalecer a soberania digital.
Somente com estratégias coordenadas entre governo, empresas e sociedade civil será possível aproveitar plenamente o potencial dos dados, construir um ambiente de confiança e impulsionar o desenvolvimento econômico e social para as próximas décadas.
Referências
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/onu-pib-do-brasil-desacelera-para-2-em-2026-e-so-acelera-em-2027/
- https://brazileconomy.com.br/economia/2025/12/sete-tendencias-da-economia-brasileira-para-voce-ficar-de-olho-em-2026/
- https://www.poder360.com.br/poder-economia/brasil-deve-crescer-menos-de-2-em-2026-abaixo-da-media-global/
- https://www.gov.br/mcom/pt-br/noticias/2025/Julho/brasil-conecta-6-1-milhoes-de-novos-usuarios-a-internet-em-apenas-dois-anos-aponta-ibge
- https://www.ipea.gov.br/cartadeconjuntura/index.php/tag/previsoes-macroeconomicas/
- https://noticias.portaldaindustria.com.br/noticias/inovacao-e-tecnologia/brasil-ocupa-44o-lugar-em-indice-global-de-acesso-e-uso-de-tecnologias/
- https://www.youtube.com/watch?v=fBfOJkjZRx8
- https://www.ibge.gov.br/indicadores
- https://platobr.com.br/mais-da-metade-dos-brasileiros-ve-economia-melhor-em-2026-mostra-pesquisa
- https://www.osbrasil.org.br/economia-de-dados-o-que-isso-tem-a-ver-com-seu-dia-a-dia/
- https://www.youtube.com/watch?v=wUGYRTkLlC8
- http://www.ipeadata.gov.br
- https://balanca.economia.gov.br/balanca/pg_principal_bc/principais_resultados.html







