Com o avanço da digitalização, o Brasil se destaca na jornada de inclusão financeira, criando novas oportunidades de acesso a serviços bancários para milhões de pessoas.
Este artigo explora como o uso estratégico de ferramentas digitais, regulamentação inovadora e o engajamento de diferentes atores têm contribuído para a construção de um sistema financeiro mais aberto e acessível a todos.
Posição Global do Brasil
Segundo dados recentes, o país ocupa a segunda posição entre nações em desenvolvimento no que diz respeito à inclusão financeira e digital. Esse resultado reflete o mercado financeiro brasileiro em rápida transformação, com melhorias constantes em infraestrutura, conectividade e serviços financeiros.
A nota do Índice Global de Inclusão Financeira subiu de 41,7 para 47,3 pontos em 2023, demonstrando um aumento significativo na inclusão financeira que se apoia tanto no comprometimento das autoridades quanto na adoção de soluções tecnológicas.
Além disso, a implementação de políticas públicas orientadas pela modelo de democratização baseado em tecnologia tem servido de referência para outras economias emergentes, reforçando o papel do Brasil como líder regional.
O Ecossistema de Fintechs
O Brasil concentra o maior número de startups financeiras da América Latina, estabelecendo-se como um polo de inovação e competitividade.
- 1.592 fintechs ativas em julho de 2024, representando 58,7% do total regional
- Crescimento de 38% no número de empresas fintech em cinco anos
- Investimentos aumentaram 29% até outubro de 2024, expandindo capacidades de crédito
- Crédito digital atingiu R$ 35,5 bilhões em volume concedido
Essas iniciativas geram um crescimento robusto impulsionado por startups inovadoras, sobretudo em áreas onde pacientes tradicionais não alcançavam acesso a serviços bancários.
O ecossistema fintech atua como alavanca para potencial para reduzir desigualdades financeiras, ampliando o alcance de produtos e serviços.
PIX - Revolução nos Pagamentos
Lançado em novembro de 2020, o PIX transformou o cenário das transações instantâneas no Brasil, permitindo que usuários, empresas e governo realizem transferências em tempo real, sem custos adicionais.
No primeiro ano, foram realizadas aproximadamente 286 milhões de operações via PIX, superando em muito o volume de TEDs, que representou apenas 18,5%.
Em 2024, o sistema atingiu a marca de R$ 27 trilhões movimentados, consolidando-se como uma ferramenta de democratização financeira capaz de integrar quem antes estava à margem do sistema bancário, gerando um impacto social e econômico profundo.
Tecnologias Impulsionadoras
Além do PIX, outras inovações têm contribuído para a expansão da inclusão, reduzindo burocracia e elevando a eficiência dos serviços.
- Contas digitais e carteiras eletrônicas que dispensam agências físicas
- Aplicativos de pagamento com interface intuitiva e processos simplificados
- Uso de inteligência artificial para atendimento e consultoria financeira
- Adoção de dados alternativos na avaliação de risco de crédito
A introdução de tecnologias financeiras acessíveis tem permitido que micro e pequenos empreendedores, além de consumidores de baixa renda, obtenham serviços antes restritos aos grandes centros.
Recursos como chatbots, análise preditiva e sistemas de recomendação garantem um novo patamar de acessibilidade e conveniência, promovendo um ciclo virtuoso de uso e confiança.
Adoção pelos Usuários
O entusiasmo dos brasileiros em usar soluções digitais reflete-se na estatística de que 66% utilizam aplicativos para pagamentos e consulta de saldos.
Modelos de contas digitais em varejo, como a Bemol, já registraram mais de 470 mil clientes, evidenciando a capacidade do setor comercial em atuar como ponto de inclusão financeira.
No entanto, o letramento financeiro ainda demanda esforços, com média de 62,9 em uma escala de 0 a 100, mostrando que a compreensão de conceitos básicos permanece um desafio a ser superado através de educação e orientação contínua.
Desafios Persistentes
Cerca de 16% dos adultos brasileiros ainda se encontram desbancarizados, sem acesso ou uso de serviços bancários formais.
A alta capilaridade dos correspondentes bancários limita a adoção de mobile money, pois muitos preferem o uso de cartões ao dinheiro em espécie.
Além disso, o nível de poupança ainda é baixo, demandando incentivos e mecanismos que estimulem a cultura de reserva financeira.
Em áreas rurais e periferias urbanas, a exclusão digital persiste devido a limitações de infraestrutura e acesso a dispositivos, perpetuando a desigualdade econômica.
Ações Institucionais do Banco Central
- Fórum de Cidadania Financeira para debater políticas inclusivas
- Lançamento do Plano de Fortalecimento da Cidadania Financeira
- Desenvolvimento de indicadores de educação e inclusão financeira
Essas iniciativas refletem o compromisso do BC em promover um ambiente regulatório que favoreça a inovação responsável, garantindo transparência e segurança.
Transição Estrutural do Mercado
A substituição de agências físicas por plataformas digitais marca uma mudança significativa no mercado financeiro.
Esse movimento permite a redução de custos operacionais e a ampliação do alcance dos serviços, favorecendo quem vive em regiões afastadas e integrando novos perfis de clientes.
Contexto Latino-Americano
O Brasil não apenas evolui internamente, mas também exporta modelos e soluções para a América Latina. Plataformas como a Dock impulsionam sistemas de pagamento em países vizinhos, e o Bre-B, inspirado no PIX, será adotado pela Colômbia.
Essa cooperação regional fortalece a perspectiva de redução da dependência do numerário e consolida os pagamentos digitais como vetor de inclusão em toda a região.
Conclusões e Perspectivas
O trajeto de inclusão financeira brasileiro demonstra que soluções financeiras com alto grau de eficiência podem, sim, unir as dimensões social e econômica em prol do desenvolvimento.
Para consolidar esses avanços, é essencial continuar investindo em infraestrutura, educação financeira e regulação que estimule a competição e a inovação.
Ao alinhar tecnologia, políticas públicas e engajamento da sociedade, o Brasil caminha para um futuro onde a democratização financeira seja não apenas um objetivo, mas uma realidade tangível para milhões de pessoas.
Referências
- https://www.ti.rio/brasil-ocupa-2a-posicao-em-ranking-de-inclusao-financeira-e-digital-entre-paises-em-desenvolvimento/
- https://rsdjournal.org/rsd/article/download/21139/18705/253905
- https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/brasil-lidera-revolucao-digital-e-consolida-maior-mercado-de-fintechs-da-america-latina
- https://dock.tech/fluid/blog/financeiro/acesso-ao-credito/
- https://coinscrapfinance.com/pt/noticias-fintech/dock-tecnologia-brasileira-impulsionando-inclusao-financeira-america-latina/
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- https://simplifica.contasimples.com/setor-de-fintenchs-cresce-38-no-brasil-em-cinco-anos/
- https://www.gov.br/investidor/pt-br/penso-logo-invisto/tecnologia-e-financas-digitais-uma-revolucao-em-movimento
- https://www.bcb.gov.br/noticiablogbc/9/noticia
- https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/747/noticia
- https://international.nubank.com.br/pt-br/companhia/summit-de-impacto-financeiro/
- https://br.ebury.com/blog/desbancarizados
- https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/fintechs-problema-ou-solucao
- https://www.pwc.com.br/pt/estudos/setores-atividade/financeiro/2025/pesquisa-fintechs-de-credito-digital-2025.html







