O Impacto da Inteligência Artificial nos Mercados Emergentes

O Impacto da Inteligência Artificial nos Mercados Emergentes

As economias emergentes estão diante de uma revolução silenciosa e poderosa. A Inteligência Artificial (IA) já não é mais exclusividade dos centros tecnológicos avançados; ela penetra em países em desenvolvimento, redesenhando setores e exigindo respostas rápidas e coordenadas.

Transformações Econômicas e no Trabalho Global

Em 2026, prevê-se que automação de até 25% das horas de trabalho possa ser atingida globalmente. Esse movimento gera um mix de ansiedade e empolgação. No curto prazo, há riscos de desemprego em profissões altamente repetitivas, mas também surge um mercado para funções que valorizam criatividade e interações humanas.

Para economias emergentes, onde até 60% dos trabalhadores podem ser afetados, a preparação é vital. Um plano de transição trabalhista bem planejado torna-se ferramenta essencial para garantir que colaboradores adquiram novas habilidades e ocupem vagas em setores de alto valor agregado.

Desafios Estruturais em Países em Desenvolvimento

Grande parte dos desafios está na base: infraestrutura digital limitada em Angola e em várias nações africanas e asiáticas é apenas um exemplo. Conexões de internet instáveis, energia elétrica irregular e baixa capacidade de armazenamento de dados emperram projetos de IA.

A escassez de capital humano qualificado reforça esse quadro. A dependência de tecnologia importada pode aprofundar desigualdades entre zonas urbanas, bem servidas, e áreas rurais, isoladas. Sem políticas públicas focadas em educação e infraestrutura, o abismo digital tende a crescer.

Oportunidades Setoriais e Projeções de Mercado

Apesar dos entraves, os benefícios em diversos setores são promissores. No varejo, espera-se que a adoção de IA salte de 33% para 85% até 2027, impulsionando precificação dinâmica e experiência do cliente. Na saúde, sistemas de diagnóstico aumentam a eficiência de hospitais, enquanto na educação, plataformas personalizadas reduzem desigualdades de aprendizado.

O mercado global de IA deve ultrapassar US$ 300 bilhões em 2026, com agentes autônomos e governança como motores principais. Até 2035, receita de superagentes IA pode representar 30% dos softwares corporativos, criando um ecossistema altamente lucrativo.

Questões Regulatórias, Éticas e de Governança

Sem padrões unificados, o risco de ampliar desigualdades é real. A falta de legislação de proteção de dados e privacidade expõe usuários a abusos e vazamentos. A UNESCO recomenda marcos éticos claros, mas a adoção ainda é lenta em nações emergentes.

Adotar cooperar para soberania digital nos BRICS e no Sul Global é uma forma de equilibrar interesses. Modelos regulatórios que garantam transparência algorítmica e respeito cultural podem mitigar impactos negativos.

Cooperação Regional e Competição nos BRICS

No âmbito do G20, Brasil, Índia e África do Sul debatem uma agenda de IA que priorize inclusão e adaptação cultural. Embora haja competição por investimentos, a cooperação pode fortalecer cadeias de valor locais, reduzindo a dependência de grandes players do Norte Global.

Essa dinâmica mista exige equilíbrio entre competição saudável e colaboração estratégica. Iniciativas de pesquisa conjunta, intercâmbio de dados e padronização de protocolos são caminhos para um ecossistema mais robusto e inclusivo.

Tendências Tecnológicas Emergentes até 2026

Agentes autônomos avançam: 75% das empresas experimentam a tecnologia, mas apenas 15% a implementam plenamente. O foco em ROI e governança acompanha a adoção. A convergência com computação quântica deve gerar 18% da receita de algoritmos de IA até 2026, abrindo fronteiras para aplicações financeiras e científicas.

A oferta de Quantum-as-a-Service deve atingir até 75% dos usuários em projetos-piloto. Esse movimento reduz barreiras de entrada e viabiliza soluções complexas mesmo em países com infraestrutura limitada, desde que haja investimento em energia e habilidades técnicas.

Recomendações e Caminhos para o Futuro

Para aproveitar o potencial da IA de forma sustentável e justa, é essencial combinar esforços públicos e privados. A seguir, algumas iniciativas prioritárias:

  • Desenvolver programas de capacitação técnica e inclusão social em larga escala.
  • Investir em infraestrutura energética e digital para reduzir o abismo tecnológico.
  • Estabelecer marcos regulatórios que foquem em privacidade e ética.
  • Promover cooperação internacional no BRICS e no Sul Global.

Essas ações precisam ser coordenadas com metas claras e indicadores de desempenho, garantindo que o crescimento impulsionado pela IA seja equitativo e sustentável.

O futuro dos mercados emergentes está atrelado à capacidade de adaptar-se às novas tecnologias. Com impacto acelerado pela IA e desafios complexos, o segredo está na união de visão estratégica, políticas inclusivas e investimentos direcionados.

Somente assim, será possível transformar a IA em um motor de progresso global, reduzindo desigualdades e ampliando oportunidades para todos os cidadãos.

Yago Dias

Sobre o Autor: Yago Dias

Yago Dias atua como analista e redator financeiro no inspiramais.org, abordando temas como planejamento financeiro, renda extra e inteligência no consumo. Seu objetivo é inspirar decisões mais conscientes e contribuir para a construção de uma vida financeira mais segura.