Em um mundo movido por algoritmos e grandes dados, a tecnologia redefine as bases da economia e abre portas para novas oportunidades financeiras.
Investimentos das Big Techs: CAPEX e OPEX em Ascensão
As maiores empresas de tecnologia do planeta acumulam um CAPEX combinado de US$ 602 bilhões em 2026, um salto de 36% em relação a 2025. Dessas verbas, 75% são destinados a projetos de IA, refletindo um investimento massivo em infraestrutura de IA que remodela a cadeia produtiva global.
Por trás desse volume, destacam-se estratégias como:
- Amazon investindo em chips próprios (Trainium e Inferentia) para reduzir dependência de fornecedores externos.
- Microsoft apostando em reatores modulares pequenos (SMRs) para abastecer seus data centers com energia limpa.
- Google implementando sistemas de resfriamento líquido e TPUs customizadas para acelerar o treinamento de modelos.
- Meta desenvolvendo Llama e outras ferramentas internas, mas enfrentando riscos de ativos subutilizados.
Enquanto isso, empresas usuárias enfrentam aumento de 8,7% a 25% em contratos de nuvem e uma subestimação de 30% nos custos de IA até 2027, segundo o IDC. Esses números reforçam a urgência de planejamento financeiro rigoroso para evitar surpresas orçamentárias.
Transformação no Setor Financeiro
Não é apenas o parque tecnológico que evolui: o setor financeiro se reinventa com automação de processos contábeis e ferramentas de governança baseadas em IA. Pesquisa da Gartner revela que 59% dos líderes financeiros já utilizam inteligência artificial para:
- Agilizar o fechamento contábil mensal.
- Otimizar contas a pagar e receber.
- Monitorar riscos regulatórios e fraudes em tempo real.
Além disso, 71% dos CEOs definem a IA como a principal prioridade de investimento nos próximos três anos, segundo a KPMG. A expectativa é que essas iniciativas gerem ganhos de eficiência de até 30%, impulsionando a competitividade de organizações de todos os portes.
Panorama Brasileiro: Políticas, Incentivos e Oportunidades
O Brasil caminha para se firmar como protagonista na corrida tecnológica. Em 2025, o orçamento do FNDCT atingiu um recorde histórico, impulsionando o PIB em 3,4%, com a indústria de alta tecnologia crescendo 6% no mesmo período.
Destacam-se dois programas-chave:
- Hackers do Bem: capacitou 35 mil profissionais com investimento de R$ 34 milhões.
- Bolsa Futuro Digital: oferece 10 mil vagas e R$ 54 milhões em subsídios para formação em competências digitais.
O Programa Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) recebeu R$ 23 bilhões, enquanto o supercomputador Sirius contou com R$ 6,5 bilhões em recursos. Essas iniciativas mostram como o governo pode impulsionar a inovação e atrair investimentos privados para o país.
Desafios e Riscos
Embora as perspectivas sejam promissoras, é fundamental reconhecer os obstáculos que podem frear esse progresso.
- Atrito social por recursos: alta demanda por água e energia coloca pressão sobre infraestruturas locais.
- Bolha de IA: riscos de write-offs e endividamento excessivo em ativos que não geram receita.
- Cibersegurança e geopolítica: vulnerabilidades em data centers e tensões entre países podem gerar instabilidade.
- Falta de talentos qualificados: 77% das empresas brasileiras utilizam nuvem sem governança adequada.
Superar essas barreiras exige colaboração entre setores público e privado, fomentando regulação inteligente e programas de capacitação alinhados às demandas do mercado.
Cenários Futuros: Otimismo e Precaução
Olhando para frente, dois caminhos se desenham no horizonte:
No cenário otimista, a adoção de Smaller Language Models e otimização de infraestrutura deve reduzir custos e democratizar o acesso à IA. Empresas de todos os portes conseguirão alavancar novos produtos e serviços com investimentos controlados.
Já no cenário pessimista, uma possível bolha de IA pode levar a perdas significativas e comprometer fundos de pensão e outros veículos de investimento. Dívidas de 18% em categorias tecnológicas podem agravar crises financeiras em cadeia.
O Brasil, com sua oportunidade de barganha por contrapartidas, tem o potencial de integrar ciência e indústria, criando um ecossistema mais inclusivo e sustentável. Para isso, é imprescindível manter políticas de longo prazo e investir em infraestrutura resiliente.
Em suma, a tecnologia se apresenta como a força propulsora de uma nova era de investimentos. Para investidores, gestores e governos, o desafio está em equilibrar ousadia e cautela, garantindo que cada real aplicado contribua para o desenvolvimento econômico, social e ambiental.
Referências
- https://efagundes.com/blog/briefing-impacto-capex-big-tech-ia-2026/
- https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2026/01/com-investimento-recorde-ciencia-volta-a-ser-eixo-do-desenvolvimento-nacional
- https://iblueconsulting.com.br/tendencias-tecnologicas-para-2026-no-setor-financeiro/
- https://www.youtube.com/watch?v=c5ITeXjyJew
- https://www.axians.com.br/actualit/10-tendencias-de-tecnologia-para-2026-que-vao-moldar-o-futuro-das-empresas-segundo-o-gartner/
- https://blog-pt.lac.tdsynnex.com/tend%C3%AAncias-tecnol%C3%B3gicas-o-que-vai-impactar-neg%C3%B3cios-e-ti-em-2026
- https://www.insper.edu.br/content/insper-portal/pt/conteudos/gestao-e-negocios/ia-em-2026-da-euforia-ao-impacto-real-nos-negocios.html
- https://forbes.com.br/escolhas-do-editor/2025/12/8-tendencias-de-tecnologia-que-transformarao-as-empresas-em-2026/
- https://www.inteli.edu.br/do-hype-a-estrategia-o-que-esperar-da-ia-em-2026/







