Em um mundo cada vez mais competitivo, a corrida por inovação tecnológica é guiada pelas leis de patentes e pela propriedade intelectual. Este panorama revela não apenas avanços científicos, mas também profundas disputas geopolíticas e econômicas.
Panorama dos Índices Globais de Inovação
O Índice Global de Inovação da OMPI 2024 avaliou 133 países desde 2007, colocando o Brasil em 49ª posição global e no primeiro lugar regional em 2023. Apesar desse desempenho, apenas São Paulo surge entre os cem melhores clusters de ciência e tecnologia.
O IBID 2024 do INPI, em sua primeira edição, introduziu métricas per capita de depósitos de patentes de invenção, modelos de utilidade e patentes vigentes. As áreas de saúde, biotecnologia e agroindústria concentram a maior parte dos pedidos, mas enfrentam desafios no caminho da comercialização.
Segundo o Global Innovation Scorecard 2025 (CTA), que analisou 74 países, os indicadores de patentes, publicações científicas e exportações de alta tecnologia são fundamentais para medir a produção de conhecimento. Em 2023, o setor farmacêutico e a biotecnologia investiram mais de USD 250 bilhões em P&D, demonstrando o alto valor tecnológico e estratégico dessa corrida.
Dados de Patentes no Brasil (2003-2023)
Na última década, o INPI registrou 143.866 pedidos de patentes, dos quais 95,44% são patentes de invenção e 78,93% vieram via PCT. A divisão setorial revela concentração em saúde (64,18%), seguida por biotecnologia (20,65%) e agroindústria (15,17%).
A média anual de pedidos corresponde a apenas 4,19% do total no INPI, evidenciando a dificuldade de conversão em inovação. Além disso, a maioria dos depositantes residentes são universidades e institutos de pesquisa, mostrando um hiato entre inventores e indústria.
Após o pico de concessões entre 2019 e 2021, devido ao combate ao backlog, o ritmo diminuiu novamente, reforçando a necessidade de modernizar processos internos e reduzir tempos de exame.
Liderança Global e Competição Geopolítica
A China, em 2025, deteve 2,29 milhões de patentes de invenção de alto valor, consolidando seu papel protagonista em P&D global. Esse cenário pressiona o Brasil a fortalecer alianças internacionais e fomentar parcerias com centros de excelência no exterior.
Conectar-se a programas como o PCT e investimentos em acordos bilaterais pode ampliar o alcance da pesquisa brasileira, permitindo que tecnologias “made in Brazil” cheguem a mercados estrangeiros.
Tendências e Desafios para 2026
O próximo ciclo trará mudanças significativas nas práticas de PI e nas prioridades corporativas. Entre as principais tendências destacam-se:
- Integração sustentável de processos low-carbon e circulares
- Regulação de direitos autorais em sistemas de IA
- Expansão de portfólios de patentes verdes e ESG
- Fortalecimento de segredos comerciais e compliance
- Auditorias para pruning de ativos tecnológicos obsoletos
Essas transformações exigem que o Brasil desenvolva políticas que permitam articular pesquisa, indústria e mercado de forma integrada, além de capacitar o setor produtivo nacional para gerar valor econômico e social.
Políticas e Metas Governamentais Brasileiras
O ENPI 2021-2025 definiu metas de redução do tempo de exame de patentes, incorporadas pela missão 233 do Novo Industrial Brasil, que busca simplificar rotinas e incentivar startups. O MCTI e o INPI têm investido em digitalização e em programas de capacitação.
Paralelamente, iniciativas de fomento à inovação, como editais de subvenção econômica e parcerias público-privadas, visam trazer maior agilidade e atrair investimento privado.
Conclusão
O panorama global de patentes mostra uma disputa intensa pelo conhecimento e pela liderança tecnológica. Para que o Brasil supere seus desafios, é fundamental combinar excelência acadêmica com visão de negócio, promovendo um ecossistema colaborativo entre universidades, empresas e governo.
Ao alinharmos estratégia, investimento e capacitação, transformaremos o potente arcabouço científico brasileiro em resultados concretos. O futuro dependerá de nossa capacidade de inovar com ousadia, otimizando cada patente como um passo rumo a um país mais competitivo e sustentável.
Referências
- https://portuguese.cgtn.com/2026/01/23/ARTI1769170625174163
- http://tadv.com.br/propriedade-intelectual-principais-tendencias-para-2026/
- https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/indicadores
- https://www.cta.tech/innovation-scorecard/global-innovation-scorecard/
- https://abcdoabc.com.br/propriedade-intelectual-desafios-cuidados-2026/
- https://www.fi-groupbr.com/en/indice-global-de-inovacao-2025







