Em 2026, o setor bancário latino-americano testemunha uma transformação sem precedentes. A era das ofertas genéricas dá lugar a estratégias centradas no cliente, utilizando IA generativa e dados em tempo real para moldar cada interação. As instituições financeiras encontram-se diante de um imperativo: adotar a personalização em massa ou perder relevância.
Essa abordagem vai além da simples customização, combinando tecnologia avançada e análise preditiva para criar produtos financeiros sob medida que atendem às necessidades específicas de cada correntista, elevando a conversão e reduzindo os riscos.
Evolução do Setor Bancário
A jornada começou com a padronização de produtos, passando pelo open banking e desembocando em um modelo de relacionamento profundamente contextual. Hoje, iniciativas de ultrapersonalização emergente aproveitam APIs de BaaS e modelos de CaaS para permitir que empresas ofereçam crédito de forma integrada e instantânea.
Como afirma Hernán Corral, “tecnologia vira centro da estratégia em crédito corporativo e expansão regional”, ilustrando que soluções padronizadas perdem espaço para plataformas ágeis e personalizadas.
O cenário regional promove a sinergia entre tecnologia e diferenciação. O Brasil, por exemplo, verá o mercado de Banking as a Service movimentar US$14 bilhões até o fim de 2026, atendendo PMEs, nichos específicos e cadeias produtivas com soluções ágeis e locais.
Tecnologias Habilitadoras
No núcleo dessa revolução, a inteligência artificial e o machine learning desempenham papéis cruciais. Sistemas avançados analisam padrões de comportamento e sinalizam riscos em tempo real, cumprindo as exigências da Resolução 4966 do Banco Central sobre provisionamento por perdas esperadas.
O Pix preditivo libera crédito no momento exato, com base em movimentações reais de conta, enquanto a tokenização de cartões e o Pix 1-Click elevam a segurança e simplificam a experiência de pagamento.
Essas inovações combinadas permitem a criação de relacionamento digital duradouro entre bancos e clientes, gerando valor mútuo.
Impactos no Mercado
A adoção de personalização em massa traz ganhos substanciais. Instituições experimentam aumento de receita, maior fidelização e redução de índices de inadimplência. Além disso, 70% dos usuários esperam aconselhamento financeiro personalizado, comprovando o potencial dessa estratégia.
- R$42 bilhões em novas receitas via Open Finance até 2026.
- 30% mais eficiência operacional em concessão de crédito digital.
- 15% das transações na América Latina realizadas via pagamentos contactless.
- 90% das PMEs priorizando finanças integradas.
Esses números destacam um cenário em que a personalização se traduz em métricas palpáveis de crescimento e de engajamento, reforçando o papel da tecnologia como vetor principal.
Casos de Uso Transformadores
Vários exemplos ilustram o poder dessa abordagem. Bancos detectam mudanças de endereço por meio de dados contextuais e oferecem financiamento imobiliário no momento ideal. Em viagens, sugerem cartões de milhas adaptados ao perfil do cliente, maximizando conversões e satisfação.
Segundo Silvio Eduardo de Andrade, “IA generativa humaniza o digital”, aproximando bancos e clientes em um diálogo contínuo e construtivo.
- Setor automotivo: scoring de IA e marketplaces integrados aceleram aprovações de crédito.
- Plataformas BaaS/CaaS: atendimento sob medida para agro, varejo e serviços regionais.
- Carteiras de investimento personalizadas: IA monta portfólios alinhados ao perfil e objetivos.
Empresas como Pomelo, BRQ Digital e BMP lideram essas iniciativas, enfatizando a centralidade da agilidade e da inteligência nos produtos financeiros.
Desafios e Governança
Apesar das oportunidades, a personalização em massa traz desafios complexos. A ética em dados se impõe como prioridade: é fundamental evitar práticas invasivas e garantir total conformidade regulatória.
Governança robusta, agilidade na atualização de normas e monitoramento contínuo são imperativos para mitigar riscos e preservar a reputação. Concorrer com fintechs nativas digitais, que conquistam a Geração Z, exige inovação constante e foco na experiência do usuário.
O Futuro e Estratégias de Sucesso
O caminho à frente aponta para parcerias estratégicas e expansão regional. Instituições devem investir em infraestrutura aberta, experimentação com IA generativa e plataformas modulares que facilitem a adaptação rápida a novas demandas.
Por fim, o diferencial estará na capacidade de equilibrar inovação e governança, oferecendo soluções que não apenas impressionem pelo uso de tecnologia, mas que também criem relações de confiança e relevância ao longo do tempo.
Produtividade, escalabilidade e ética definem o novo paradigma bancário, onde cada cliente se sente único e valorizado.
Referências
- https://moneyp.com.br/midia/tendencias-financeiras-para-2026-bmp/
- https://finsidersbrasil.com.br/giro-noticias/tecnologia-e-escala-regional-redefinem-a-estrategia-dos-bancos-para-2026/
- https://startupi.com.br/como-ia-humanizando-setor-financeiro/
- https://www.infomoney.com.br/advisor/quatro-tendencias-que-devem-transformar-investimentos-no-brasil-na-proxima-decada/
- https://www.pagbrasil.com/pt-br/blog/insights/pagamentos-digitais-em-2026-descubra-as-tendencias-que-vao-mover-o-mercado-brasileiro/
- https://infocar.com.br/blog/previsoes-para-bancos-e-financeiras-em-2026/
- https://www.matera.com/br/tendencias-mercado-financeiro-2026/
- https://febrabantech.febraban.org.br/temas/banco-digital/a-geracao-que-desafia-os-bancos
- https://www.agebb.com.br/o-que-o-mercado-espera-dos-bancos-em-2026-veja-o-que-revela-goldeman-sachs/







