As remessas de migrantes representam um dos mais poderosos instrumentos de solidariedade entre países e famílias, operando como um fluxo invisível de riqueza global que sustenta comunidades e impulsiona economias.
Apesar de barreiras políticas e crises globais, esse fluxo manteve crescimento constante, evidenciando a resiliência dos migrantes e o valor social dessas transferências.
Crescimento Regional e Resiliência
Em 2025, as remessas para a América Latina e Caribe totalizaram impressionantes US$ 174,4 bilhões, um aumento de US$ 11,7 bilhões em relação a 2024. Esse número marca 16 anos consecutivos de crescimento, mesmo diante de maior repressão migratória nos EUA.
O volume confirma a importância dos mercados de trabalho norte-americanos, integrados a uma rede transnacional de apoio familiar que se mantém firme diante de desafios. Cerca de 56,7% dos migrantes da região vivem na América do Norte, com destaque para os Estados Unidos, que abrigavam 28,5 milhões de latino-americanos em julho de 2025.
Embora sinais de fadiga surjam em meio à incerteza global, a capacidade de adaptação das famílias e a busca constante por melhores condições de vida reforçam o papel vital das remessas no desenvolvimento.
Casos Nacionais em Perspectiva
Cada país exibe dinâmicas próprias no recebimento de remessas. No México, maior receptor regional, os fluxos somaram US$ 61,81 bilhões em 2025, representando 35,4% do total da região, apesar de uma queda de 4,5% frente a 2024. Honduras, por sua vez, teve remessas equivalentes a 30,4% do PIB, enquanto na Colômbia esse valor girou em torno de 3,1% do PIB, próximo à participação histórica do setor cafeeiro.
No Brasil, as remessas pessoais atingiram US$ 348,60 milhões em novembro de 2025, abaixo da média histórica e refletindo a volatilidade dos fluxos, mas as remessas originadas dos EUA cresceram 2,8% no período.
Esses números destacam a dependência econômica de muitos países, mas também o potencial transformador das remessas quando direcionadas a investimentos sociais e produtivos.
Impacto da Repressão Migratória
Em 2025, mais de 3 000 brasileiros foram deportados dos EUA, o maior volume pós-pandemia, fruto de políticas mais rígidas a partir de janeiro. Essa pressão gerou um efeito colateral: um aumento no envio de recursos preventivos para proteger famílias contra imprevistos e possíveis deportações.
- Perfis: 83,72% dos repatriados chegaram sozinhos, 70,63% buscam trabalho.
- Reintegração: 56,99% retornaram ao convívio familiar, 33,03% voltaram à casa própria.
- Destinos principais: Minas Gerais (47,55%), Rondônia, São Paulo, Goiás e Pará.
Além dos impactos econômicos, o retorno forçado expõe vulnerabilidades emocionais e logísticas, ressaltando a necessidade de programas de apoio como o Federal de Recepção Humanitária, que oferece assistência social e psicológica nos aeroportos.
Desafios e Perspectivas Futuras
A dependência de remessas como fonte principal de renda revela tanto força quanto fragilidade. Enquanto representam uma tábua de salvação imediata para milhões de famílias, não substituem a criação de empregos decentes, investimentos produtivos e retenção de talentos locais.
Projeções indicam crescimento moderado até 2026, com baixa sensibilidade a possíveis impostos de 1% nos EUA, já que necessidades familiares básicas prevalecem. No entanto, tendências de longo prazo apontam para a urgência de diversificar fontes de desenvolvimento e reduzir a vulnerabilidade a choques externos.
- Incentivar investimentos em pequenas empresas locais.
- Fortalecer programas de capacitação e reinserção profissional.
- Promover políticas públicas que acolham e integrem repatriados.
Contexto Brasileiro Específico
Desde 1995, o Brasil registrou remessas mensais variando entre US$ 70,79 milhões (agosto/1998) e US$ 454,14 milhões (junho/2022). A queda de US$ 393,90 milhões entre outubro e novembro de 2025 ilustra a volatilidade dos fluxos e a influência direta de eventos geopolíticos.
Embora o volume total tenha caído 2,7% nos primeiros nove meses de 2025, o envio a partir dos EUA cresceu 2,8%, reforçando o país como principal origem. Esse padrão reflete não só a forte ligação histórica ao mercado de trabalho americano, mas também a busca por estabilidade em contextos de incerteza.
Para o Brasil, o caminho envolve equilibrar políticas de atração de investimentos externos, aprimorar acordos de mobilidade e garantir redes de apoio aos seus migrantes, tanto no exterior quanto no retorno.
As remessas de migrantes configuram-se, portanto, como um fluxo invisível de oportunidades, capaz de sustentar sonhos, reconstruir vidas e movimentar economias em escala global. Reconhecê-las e potencializá-las é desafio e responsabilidade de governos, instituições e sociedade civil.
Referências
- https://pt.tradingeconomics.com/brazil/remittances
- https://www.acheiusa.com/Noticia/mais-de-3-mil-brasileiros-foram-deportados-dos-eua-em-2025-163720/
- https://www.bloomberglinea.com.br/financas/america-latina-se-aproxima-de-16-recorde-consecutivo-de-remessas-internacionais/
- https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2025/maio/levantamento-inedito-de-perfil-dos-repatriados-dos-eua-maioria-tem-planos-de-reinsercao-socioeconomica
- https://portaldeimigracao.mj.gov.br/pt/dados/2-sem-categoria/401949-ano-6-numero-06-junho-2025
- https://www.braziliantimes.com/comunidade-brasileira/brasileiros-aceleram-envio-de-remessas-aos-eua-em-meio-a-repressao-imigratoria/







